
Uma das mais extensas áreas selvagens do mundo, o Pantanal, é um dos mais importantes destinos para observação de vida silvestre da America do Sul.
Este mosaico de ecossistemas de ricos solos de aluvião são influenciados pelas savanas da Bolívia (Chaco) e do Brasil (Cerrado), pela Amazônia e pela Mata Atlântica, mantendo uma extraordinária concentração e diversidade de vida silvestre.
A maioria da fauna pantaneira pode ser encontrada em outras partes do Brasil, mas em nenhum outro local os animais podem ser tão facilmente avistados como nas planícies do Pantanal.
A Experiência do Turismo no Pantanal
Rodeado por cadeias montanhosas de origem pré-cambriana como a Serra da Bodoquena (ao sul), do Amolar (a oeste), do Maracaju (a leste) e a Chapada do Guimarães (ao norte), faz da experiência de descer à planície pantaneira um percurso ou vôo excepcional.
Na cheia, de dezembro a maio, para uma verdadeira experiência no coração da região pantaneira é necessário o uso de barcos ou de pequenas aeronaves. Na seca, é possível o acesso com veículos 4x4 ou a cavalo, em distância menores.
Alguns operadores turísticos estão desenvolvendo roteiros que vão a cavalo, de fazenda a fazenda, cruzeiros em barcos regionais e percursos terrestres permitindo se explorar extensas áreas.
Embora a natureza seja a principal atração, a região de entorno do Pantanal tem especial interesse cultural. Às margens do Rio Paraguai, encontra-se Corumbá, com fortalezas e tradicionais construções coloniais. Para melhor desfrutar desta experiência cultural, procure saber sobre a terrível Guerra do Paraguai, os valorosos índios Guaicuru, exímios cavaleiros e conheça o valoroso “homem pantaneiro”, que cuida de um dos maiores rebanhos de gado do planeta, mais de quatro milhões de cabeças.
Entendendo o Pantanal
Um pouco de Geologia e Biologia
As origens dessas terras inundáveis provavelmente remontam à época em que havia um grande mar interior na América do Sul. Antes da formação dos Andes, o Rio Amazonas corria em direção ao Oceano Pacífico, até que seu curso foi interrompido pelo surgimento da cordilheira, consequência do choque das placas teutônicas Nazca e Sul-americana. Então, um grande lago ou mar foi formado até que o Amazonas encontrasse uma saída para o Oceano Atlântico.
Atualmente, temos um ecossistema que lembrará ao visitante lugares como o Delta do Okavango, em Botsuana, ou do Rio Nilo, ou Everglades, nos Estados Unidos. Mas o Pantanal é muito maior – tem cerca de 240 mil Km², estendendo se por três países: Brasil, Bolívia e Paraguai. A maior parte do Pantanal – cerca de 140 mil Km² - encontra-se no Brasil, que também é conhecido como Mar de Xaraés.
No Pantanal a vida segue um ciclo anual de cheias e vazantes, regido pelo regime de chuvas e pelo Rio Paraguai e seus muitos afluentes. Na estação das chuvas, mais intensas de outubro a março, os rios fluem serpenteando e, vagarosamente, inundam as planícies mais baixas, cobrindo-as com um a três metros de água. No auge da estação das chuvas, restam uma poucas ilhas e morrotes acima na linha d’água. A camada de solo das planícies aluviais do Pantanal é bastante espessa – chegando a mais de 80 metros – e muito permeável. Tão logo as chuvas param e os rios diminuem em volume, as águas baixam rapidamente e a paisagem se transforma, mostrando meandros e pequenas lagoas, ao meio de pastagens e matas ralas.
O Pantanal na realidade não é um único ecossistema mas um mosaico de ecossistemas, onde a flora e a fauna de ecossistemas vizinhos convergem. Na fronteira sudoeste – Bolívia e Paraguai – tem o “Chaco”, uma ‘floresta seca aberta’ caracterizada por duas espécies da família do cajueiro – o quebracho (Schinopsis balansae e Apidosperma quebracho-blanco), além de cactos e bromélias. A parte noroeste é influenciada por espécies amazônicas, como por exemplo, as vitórias-régias (Victoria amazonica), assim como sua parte nordeste está junto ao Cerrado.
O Pantanal é um rico ‘playground’ para a fauna da América do Sul. A rainha do Pantanal é a onça-pintada (Panthera onca). Uma espécie ameaçada – apesar de ainda relativamente abundante nas áreas inundáveis – que está se recuperando lentamente em virtude da diminuição da caça. Entre outros grandes mamíferos, o tamanduá-bandeira, as antas e duas espécies de cervos. Os mamíferos de médio porte incluem a capivara (o maior roedor do mundo), o cachorro-do-mato, porcos selvagens, tatu, pacas e vários felinos menores. Dos macacos, o maior é o bugio-preto, cujo grito pode ser ouvido de muito longe.
As águas e os peixes atraem diversas espécies de pássaros em quantidades, como grandes cegonhas e garças, elegantes íbis, patos, tachãs, araras bonitas e barulhentas, papagaios, periquitos e tucanos. Há também impressionantes aves de rapina e encantadores passarinhos. Em todos os lugares, a abundância de pássaros é deslumbrante, com muitos ninhos em enormes colônias, o que significa um ir e vir constante ao longo do dia. Quando as águas estão baixas e os peixes ficam em lagos, todos os pássaros aquáticos se concentram nas margens.
Além da variedade de peixes, as águas também abrigam dois grandes répteis predadores: o jacaré e a sucuri amarela (menor que a sucuri amazônica).
Historia
O Pantanal tem sido uma remota fronteira brasileira desde a segunda metade do Século XX. Registros mostram que a área já era habitada por inúmeras tribos indígenas desde antes da chegada dos colonizadores.
A região do Pantanal foi invadida pelo conquistador espanhol Aleixo Garcia, que procurava pelo Eldorado. Seu grupo seguiu uma trilha indígena, o Caminho de Peabiru, que vai da costa sul do Brasil até Sucre, na Bolívia, que devia ter conexão com os Andes. Uma de suas companhias descobriram as Cataratas do Iguaçu, quando tomaram a uma rota mais ao sul.
Muitos aventureiros seguiram suas pegadas, incluindo os bandeirantes, em busca de ouro e escravos. Em 1775, os portugueses construíram o imponente Forte Coimbra às margens do Rio Paraguai, situado a três horas de barco ao sul de Corumbá, para proteger a fronteira oeste do Brasil. Ao final do Século IXX, a região foi palco da terrível Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, pela aliança da Argentina, Brasil e Uruguai.
A criação extensiva de gado foi por muito tempo a principal atividade econômica do Mato Grosso do Sul, porém o estado tem se modernizado rapidamente.
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